Algarve volta a fazer descargas preventivas esta quinta-feira

As barragens de Odeleite e Beliche voltam a realizar descargas preventivas esta quinta-feira, 22 de janeiro, em Castro Marim, devido à elevada pluviosidade e à passagem da depressão Ingrid, com as autoridades a apelarem à precaução junto das zonas ribeirinhas.
 
Rui Mendes Morais
Rui Mendes Morais Jornalista
22 jan. 2026, 11:47

A chuva que quase encheu as albufeiras do Algarve nos últimos dias volta a obrigar à abertura das comportas. As barragens de Odeleite e Beliche, em Castro Marim, vão realizar, na tarde desta quinta-feira, 22 de janeiro, novas descargas de água. Em comunicado, a Câmara Municipal apela à adoção de medidas de precaução por parte da população das zonas ribeirinhas, sublinhando que se trata de uma operação preventiva.

“Com as confirmações atuais das previsões hidrológicas, a entidade gestora Águas do Algarve, vai proceder à abertura das comportas (…) com vista à realização de descargas controladas para controlo dos caudais”, lê-se em comunicado. 

As descargas que estão previstas para as 14h00, surgem num contexto de instabilidade meteorológica associada à precipitação intensa na região e como prevenção dos efeitos da depressão Ingrid que passa por Portugal nos próximos dias. Nos últimos dados, da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), partilhados a 9 de janeiro apontavam para 96% da capacidade na barragem de Odeleite e 83% na do Beliche. 

O município apelou à população para que evite circular em zonas ribeirinhas inundáveis no período das descargas, de forma a garantir a segurança dos cidadãos.  Em comunicado solicita-se ainda que mantenham “fora das margens (do rio Guadiana) estruturas como alfaias agrícolas, máquinas, motobombas ou outros meios e equipamentos, e gado, prevenindo potenciais danos”. 

Esta é já a segunda descarga deste ano. No período da transição de ano - a 30 de dezembro de 2025 e 2 de janeiro - tinham sido realizadas descargas nas barragens de Odeleite e Beliche, também preventivas, de forma a prevenir o elevado encaixe de água provocado pelas chuvas. Nessa altura, a presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, Filomena Pascoal Sintra, explicou em declarações ao Conta Lá que “o planeta está a dar-nos o tempo e as condições naturais para que possamos descansar naquilo que é o consumo anual da água”, alertando, contudo, que a região não se pode “encostar a esta bênção”.

O presidente da APA, José Pimenta Machado, destacou que as atuais reservas de água no Algarve garantem o consumo urbano por três a quatro anos, mesmo em cenários adversos. Ainda assim, alertou que a região deve manter uma gestão prudente e preparar-se para futuros períodos de seca, como os que assombraram o Algarve entre 2022 e 2024.