Quercus sugere sistema para recuperar dinheiro na devolução de embalagens de bebidas

A Quercus considera a gestão de resíduos um dos maiores desafios ambientais de Portugal em 2026, alertando para o atraso nas metas de reciclagem. A organização destaca a implementação do Sistema de Depósito e Reembolso como uma medida essencial para reduzir resíduos e promover a economia circular.
Agência Lusa
Agência Lusa
30 dez. 2025, 10:15

Trator a descarregar lixo em aterro sanitário.
Fotografia: Gestão de resíduos é um dos maiores desafios ambientais de Portugal em 2026. (António José/Lusa)

A gestão dos resíduos é um dos maiores desafios de Portugal no próximo ano, alerta a organização ambientalista Quercus, que considera “um passo importante” o Sistema de Depósito e Reembolso (SDR).

Num comunicado de balanço ambiental e expectativas para 2026, a Quercus afirma que a taxa de reciclagem em Portugal está 18 pontos percentuais abaixo da meta de 55% fixada para 2025, que a economia circular é o “ponto frágil da política ambiental” e que se continua a depositar em aterros, a maior parte deles no limite, mais de metade dos resíduos.

Por isso o sistema SDR, uma das reivindicações da Quercus, e que deve começar em abril, é considerado pela associação “um passo importante”.

O SDR cria um mecanismo em que os consumidores pagam um depósito no momento da compra de embalagens de bebidas, e o recuperam ao devolver as embalagens vazias em 2.500 máquinas que estarão em super e hipermercados, recorda a Quercus, lembrando também que até 31 de julho, Portugal tem de transpor a Diretiva do Direito à Reparação, um instrumento legal para redução de produção de resíduos, promovendo medidas para aumentar o tempo de vida útil de bens de consumo.

Importante também em 2026 será a conclusão do Plano Nacional de Restauro da Natureza e a entrada em vigor em janeiro do Tratado do Alto Mar, para proteger a biodiversidade marinha, diz-se no comunicado, no qual se aponta também a importância de se continuar a acompanhar e mobilizar a sociedade em relação à colocação de pesticidas no mercado europeu, depois de a Comissão Europeia ter recuado parcialmente numa proposta muito lesiva sobre a matéria.

A regulação de novos organismos geneticamente modificados, e uma conferência na Colômbia, em abril, sobre um roteiro para a eliminação de combustíveis fósseis (não incluído na última conferência da ONU sobre as alterações climáticas, COP30, no Brasil), serão outros momentos importantes em termos ambientais, segundo a Quercus.

No comunicado a organização também lista os que considera melhores e piores factos ambientais neste ano, destacando como um dos piores momentos os grandes incêndios do verão passado. Também na lista negativa está a estratégia do Governo para a água apresentada em março, que em vez de garantir uma gestão eficiente da água se centra num “modelo agrícola insustentável, em particular no regadio intensivo”. E mau também o enfraquecimento da legislação ambiental europeia, o chamado “omnibus ambiental” da Comissão.

Como factos positivos em 2025, a Quercus destaca o embargo da barragem do Pisão, um projeto contestado em tribunal por quatro organizações de ambiente, a mobilização da sociedade civil contra megaprojetos fotovoltaicos, ou a criação do programa “Floresta Azul ― Restauro Ecológico de Pradarias Marinhas”.