Investigação desenvolve alternativa natural aos talões com substâncias tóxicas

Uma investigação proveniente da Suíça desenvolveu uma alternativa mais segura ao papel térmico usado em recibos e talões, que contém substâncias potencialmente nocivas à saúde. A nova solução é feita a partir de madeira e açúcares vegetais. 
Agência Lusa
Agência Lusa
17 jan. 2026, 12:13

Recibos, faturas e uma calculadora em cima de uma mesa
Fotografia: Investigadores criaram um novo tipo de papel para recibos que dispensa químicos tóxicos, recorrendo a materiais naturais

Muitos comprovativos de pagamento entregues a clientes em lojas contêm bisfenóis, substâncias tóxicas que podem causar, por exemplo, problemas reprodutivos, e uma investigação na Suíça criou uma alternativa mais segura, feita de madeira e açúcares vegetais.

Descoberta por uma equipa do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Lausanne (EPFL), a nova camada de revestimento para o papel utilizado nos talões utiliza lignina, um componente da madeira, e açúcares vegetais, noticiou a emissora pública suíça RTS.

Os recibos de caixa convencionais são feitos com "papel térmico", que não utiliza tinta para impressão, mas um revestimento químico que reage ao calor para formar letras e números.

No entanto, estudos demonstraram que os bisfenóis, geralmente utilizados para promover esta reação, podem ser prejudiciais, e países como a Suíça já começaram a proibi-los.

Anteriormente, tinha sido desenvolvido outro produto químico alternativo para o papel térmico, o perfagast, que segundo os especialistas, é menos perigoso, mas ainda não totalmente inofensivo para o organismo ou para o ambiente.

Substitutos menos nocivos, feitos com substâncias naturais, já tinham sido testados anteriormente, mas até então a qualidade de impressão era muito fraca.

A nova descoberta, feita por uma equipa de investigação liderada por Jeremy Luterbacher, demonstra maior legibilidade e durabilidade.

Os cientistas indicaram que já iniciaram os preparativos para criar uma 'startup' capaz de produzir esta alternativa em larga escala, embora "a solução mais segura para a saúde seja simplesmente solicitar que o recibo não seja impresso".

A descoberta foi publicada este mês na revista Science Advances.