Guimarães já é capital verde europeia e a BBC coloca-a como um dos destinos do ano

Guimarães foi eleita pela BBC como um dos “20 melhores lugares para viajar em 2026”, ocupando o 15.º lugar do ranking, ao lado de destinos como Abu Dhabi, Costa Rica e as Ilhas Cook. A cidade destaca-se pelo seu estatuto de Capital Verde Europeia e pela forma como cruza a sua história com a cultura e a sustentabilidade.
Regina Ferreira Nunes
Regina Ferreira Nunes Jornalista
11 jan. 2026, 08:00

Imagem do Castelo de Guimarães
Fotografia: Guimarães foi eleita pela BBC como um dos “20 melhores lugares para viajar em 2026” e está em 15ª posição (D.R. CM Guimarães)

A distinção do grupo de comunicação britânico BBC, que elegeu Guimarães como um dos “20 melhores lugares para viajar em 2026”, coloca a cidade-berço no olhar mundial dos turistas mais atentos a destinos autênticos, conscientes e surpreendentes. A apenas 65 quilómetros do Porto, Guimarães afirma-se como uma das grandes revelações europeias para este ano.

Na lista elaborada por jornalistas da BBC, Guimarães surge descrita como “surpreendentemente esquecida”, apesar da sua importância histórica e cultural. Fundada no século XII, a cidade é considerada o local onde Portugal nasceu e foi a primeira capital do país, um legado que permanece visível no centro histórico, classificado como Património Mundial da UNESCO desde 2001.

É precisamente essa ligação entre o passado e o futuro que fundamenta o principal motivo indicado pela BBC para visitar Guimarães em 2026: o seu título de Capital Verde Europeia. A distinção reconhece cerca de duas décadas de políticas ambientais e de sustentabilidade urbana. No artigo escrito pelo jornalista Norman Miller, os visitantes são convidados a percorrer os novos oásis verdes criados na cidade, as margens dos rios requalificadas e as construções históricas cuidadosamente redesenhadas, projetos que estão interligados por uma frota de autocarros elétricos.

A BBC sublinha ainda a riqueza e a preservação do centro medieval, caracterizado por praças pavimentadas em pedra e ruas estreitas, onde existem palácios históricos, restaurantes com vistas de varanda e uma oferta gastronómica diversificada, dos estabelecimentos com estrelas Michelin a tascas informais e bares de cerveja artesanal.

Mas, segundo as linhas escritas pelo jornalista Norman Miller, Guimarães está longe de ser “uma peça de museu”: a cidade tem uma energia jovem, pelo facto de ser uma das mais antigas cidades universitárias do país, com cerca de metade da população abaixo dos 30 anos.

Este dinamismo reflete-se numa confluência entre o passado e o presente: galerias de traço futurista, criadas no contexto da Capital Europeia da Cultura em 2012 cruzam-se com museus instalados em antigos claustros e novos espaços culturais e comerciais que ocupam antigas fábricas.

Esta sexta-feira, 9 de fevereiro, Guimarães deu início às celabrações oficiais de Capital Verde Europeia 2026 com a cerimónia “Raízes do Futuro”, que assinalou mais de uma década de políticas e iniciativas ambientais e de sustentabilidade na cidade. Durante o evento, foi assinada a “Carta de Guimarães”, um documento que pretende replicar as boas práticas ambientais da cidade noutras localidades, servindo como um marco de sustentabilidade para o futuro.

Este ano, Guimarães assinala também os 25 anos da sua classificação como Património Mundial da UNESCO, reforçando uma narrativa de continuidade entre o legado histórico e visão de um futuro sustentável. Para a BBC, trata-se de uma cidade “silenciosamente confiante”, que pensa a longo prazo e se afirma como “uma das surpresas mais atraentes da Europa em 2026.”