Capital Verde Europeia: Guimarães semeia as "Raízes do Futuro" e destaca mobilidade como compromisso

A cidade-berço assinala oficialmente a distinção de Cidade Verde Europeia, com a assinatura da “Carta de Guimarães” e um espetáculo que envolve a comunidade na celebração da sustentabilidade.
 
Rui Mendes Morais
Rui Mendes Morais Jornalista
09 jan. 2026, 08:00

Guimarães celebra o título de Capital Verde Europeia 2026
Fotografia: Guimarães celebra o título de Capital Verde Europeia | Lais Pereira

O mapa do país começou a desenhar-se em Guimarães e hoje há um novo mapa a surgir na cidade-berço: um mapa verde, focado num conjunto de políticas e iniciativas ambientais, que pretendem transformar o município. Esta sexta-feira, 9 de fevereiro, o município comemora oficialmente a distinção de Capital Verde Europeia 2026, um título que marcará o ano dos vimaranenses, depois de um percurso iniciado há mais de uma década, com a cerimónia “Raízes do Futuro”.

Um dos momentos centrais da cerimónia oficial será a assinatura da “Carta de Guimarães”, um documento que visa replicar as boas práticas ambientais da cidade noutras geografias, servindo como um selo de sustentabilidade para o futuro. A carta será assinada com a presença de executivos de outros países vencedores, permitindo a transmissão de experiências e conhecimentos.

Além da presença do presidente de câmara de Guimarães, Ricardo Araújo, o evento contará também com o autarca de Vilnius, na Lituânia, que recebeu a distinção em 2025 e com o presidente de Heilbronn, na Alemanha, que será a próxima Capital Verde Europeia, em 2027. 

Dalila Sepúlveda, diretora de departamento do ambiente e sustentabilidade do município, e Carlos Ribeiro, presidente do Laboratório da Paisagem, foram dois dos representantes responsáveis pela candidatura vencedora. Ao Conta Lá explicam que o evento pretende "celebrar a distinção junto da comunidade", apresentando à população a jornada climática percorrida nos últimos 10 anos.

A celebração estende-se ao público com um espetáculo coletivo que ocorre no pavilhão multiusos da cidade, com capacidade para 3.000 pessoas, às 21h. O evento contará com a participação de Sofia Escobar, artista da cidade, e Gisela João. Contudo, o verdadeiro destaque vai para os 240 cidadãos da comunidade que integram o projeto, simbolizando o forte envolvimento local que norteou a candidatura. 

Guimarães celebra o título de Capital Verde Europeia 2026



Comunidade apresentou 180 projetos

Esta sexta-feira será também o momento para reafirmar os principais objetivos que a cidade pretende alcançar: atingir a neutralidade climática até 2030; melhorar a qualidade de vida e revitalizar o espaço urbano com foco em práticas sustentáveis e implementar uma gestão mais eficiente dos resíduos, incentivando à mobilidade ativa (caminhar, andar bicicleta, entre outros) e transportes públicos. 

São desafios importantes num concelho com um forte peso do setor industrial, que apresenta um tecido económico muito marcado por pequenas e médias empresas. 

A aposta num município mais verde passa também pela “sensibilização da população, porque uma cidade é sempre um sistema vivo e dinâmico que envolve um conjunto de parceiros”, explica Dalila Sepúlveda. O intuito é criar uma aliança verde que envolve o município, as universidades, as escolas, as empresas, as associações e os cidadãos.

Para alcançar estas metas, a cidade pretende continuar a apostar na sustentabilidade e conta com ajuda da própria comunidade, que apresentou cerca de 180 projetos sustentáveis para serem implementados no decorrer deste ano. Cada projeto envolve duas a quatro instituições, o que “prova um envolvimento dos cidadãos”, fator surpreendente para a direção responsável.  

“Temos a certeza que no final deste ano iremos ter um território ainda mais sustentável, com a aceleração para a transição e a neutralidade climática até 2030”, sublinha Carlos Ribeiro. 
 
Guimarães celebra o título de Capital Verde Europeia 2026

 

 

A mobilidade como o grande compromisso

O Laboratório da Paisagem de Guimarães, entidade de referência em sustentabilidade ambiental, investigação e educação, funciona, desde 2014, como centro de conhecimento científico e coordenação de projetos ambientais. O centro de investigação é um dos pilares da candidatura vencedora, tendo como ponto de partida a exploração do mapa verde de Guimarães ao longo deste ano. 

Além disso, o laboratório tem trabalhado para concretizar os principais projetos ambientais do município, a estrutura de Missão Guimarães 2030. O objetivo passa por atingir a neutralidade climática em quatro anos, recorrendo a ações integradas que envolvem a comunidade científica, as entidades públicas, o setor empresarial e os cidadãos, reafirmado o compromisso com um futuro mais sustentável. 

Desde 2021 que a cidade-berço tem como principal foco a descarbonização dos transportes. Nesse ano, a rede de transportes públicos exigia que 34% da frota fosse elétrica, um objetivo que chegou aos 100% em 2025, transformando o sistema de transportes públicos municipais. 

A mobilidade é também tema em destaque, esta sexta-feira, dia em que será assinado um protocolo com o Banco Europeu de Investimento (BEI) para o desenvolvimento de um plano de mobilidade urbana sustentável de segunda geração. Este plano facilitará o acesso a fundos europeus e prevê a realização de outros projetos, como a ligação por metro bus (BRT) até Braga. 

O título de Capital Verde Europeia é atribuído todos os anos, distinguindo uma cidade com mais de 100 mil habitantes que se afirme como exemplo de sustentabilidade ambiental, social e económica, assumindo um compromisso com a responsabilidade na transição verde no futuro.

A conquista do título surgiu após três tentativas. Guimarães ficou em 5.º lugar em 2017 e foi finalista em 2023, perdendo na altura para Vilnius. Segundo os responsáveis, mais importante do que o título em si foi o “caminho trilhado”, que permitiu realizar um diagnóstico ambiental profundo e melhorar indicadores como a biodiversidade, gestão da água e economia circular. 

Em Portugal, a distinção só tinha sido atribuída à cidade de Lisboa, em 2020, que estabeleceu como meta principal a neutralidade em carbono até 2050. Seis anos depois, o título volta a ter Portugal como referência da caminhada ecológica e do compromisso com o futuro, que atribui a Guimarães um prémio de 600.000€, destinado a apoiar os projetos e iniciativas ao longo do ano.

 

Um ano repleto de eventos e iniciativas

Ao longo do ano de “celebração ambiental”, Guimarães será palco de conferências internacionais, fóruns, festivais e iniciativas comunitárias dedicadas à sustentabilidade. Ainda durante este mês, entre os dias 22 e 25, o Centro Cultural Vila Flor (CCVF) acolhe o seminário eco-escolas, um dos maiores encontros de educação ambiental do país, dedicado a capacitar professores, técnicos e alunos em temas essenciais como água, energia, biodiversidade e cidadania ambiental.

Guimarães vai promover um conjunto de eventos que celebram a sustentabilidade, mas também a cultura, incluindo a Festa da Primavera, a 21 e 22 de março, a conferência anual da rede Energy Cities, de 28 a 30 de abril, o Landscape Forum e o Spring Forward Festival, que decorrem ambos entre 6 e 9 de maio.

Ainda de acordo com o programa oficial, de 4 a 7 de junho, a Alameda de S. Dâmaso será o palco da Green Week Guimarães, a maior iniciativa pública de sensibilização ambiental do município.

Entre 15 e 19 de junho, o pavilhão multiúsos recebe o European Urban Resilience Forum (EURESFO), que reúne cidades e especialistas internacionais em resiliência urbana e adaptação climática.

No segundo semestre, o encontro nacional de limpeza urbana tem ponto de encontro marcado no Centro Cultural Vila Flor, entre 8 e 10 de setembro, seguindo-se a semana europeia da mobilidade, de 16 a 22 de setembro, com iniciativas focadas na mobilidade ativa, transportes públicos e descarbonização do espaço urbano.

Em outubro, o CCVF acolhe o congresso da água (dias 14 e 15), o maior evento nacional dedicado à gestão sustentável dos recursos hídricos.

Ainda nesse mês, Guimarães recebe também a cerimónia do júri da Capital Verde Europeia 2028, que trará à cidade especialistas e representantes das cidades finalistas.

A Eurocities Annual Conference, que decorrerá entre 3 a 6 de novembro, irá reunir, no Teatro Jordão, líderes urbanos de toda a Europa para debater políticas públicas, inovação e sustentabilidade.