Tresminas torna-se “aldeia modelo” com aquecimento a biomassa

As obras para a instalação de uma central de biomassa que vai aquecer habitações da aldeia de Tresminas, em Vila Pouca de Aguiar, vão arrancar nos próximos dias. O projeto-piloto transfronteiriço reaproveita sobrantes da limpeza da floresta para produção de energia.
 
Agência Lusa
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21 jan. 2026, 11:22

As obras para aquecimento de casas da aldeia de Tresminas, em Vila Pouca de Aguiar, através de uma central de biomassa que reaproveita sobrantes da limpeza da floresta, vão arrancar e inserem-se num projeto-piloto transfronteiriço, foi anunciado.

O Aldealix, projeto-piloto internacional de aquecimento de aldeia de Tresminas, foi anunciado em janeiro de 2024 e a consignação da obra pela Câmara de Vila Pouca de Aguiar, no distrito de Vila Real, aconteceu na terça-feira.

Segundo divulgou, esta quarta-feira, o município, em comunicado, a primeira fase do projeto que inclui a construção das ligações a uma dezena de casas foi adjudicada por cerca de 314 mil euros e a obra tem uma duração prevista de um ano.

“A comunidade local envolvida poderá usufruir de energia em função do pagamento da matéria-prima e o espaço aldeão funcionará em regime de condomínio”, explica a autarquia liderada pela social-democrata Ana Rita Dias.

O projeto visa a criação de uma “aldeia modelo” e a “integração da biomassa no sistema produtivo local”.

Tresminas, a 16 quilómetros da sede do concelho, Vila Pouca de Aguiar, tem cerca de 25 agregados familiares, casas concentradas, é também uma aldeia com população muito envelhecida e possui um serviço público que é o centro interpretativo do complexo mineiro.

Na sua envolvente, há ainda uma grande mancha florestal.

O projeto, descrito como “pioneiro”, envolve o município de Vila Pouca de Aguiar e a Agência Galega de Desenvolvimento Rural, e inclui ações como a “gestão e implantação de central de biomassa em Tresminas e criação de uma rede transfronteiriça de fomento ao uso de energia com visibilidade”.

O total do investimento previsto ascende aos 422 mil euros, dos quais 316 mil são financiamento do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (Feder) e a restante verba comparticipada pela câmara municipal.

A autarquia concretizou que, com a implementação do projeto, se pretende valorizar e potenciar o uso de recursos florestais com fins energéticos, fomentar as comunidades energéticas, baseada numa rede de calor colaborativa, avançar com a transição ecológica e energética, adaptada às mudanças climáticas, e atrair novos residentes para as zonas rurais.

Visa ainda contribuir para a luta contra as alterações climáticas, a valorização da floresta e a prevenção de incêndios florestais.

A criação desta “aldeia modelo”, a que o município transmontano chamou “Aldealix”, está incluída num projeto transfronteiriço que envolve ainda uma outra aldeia de Arcos de Valdevez (Viana do Castelo) e duas espanholas em Monterrei e Cerdedo-Cotobade.