Vila Real de Santo António lança obra de 50 milhões para reabilitar toda a habitação social do concelho

Vila Real de Santo António vai requalificar 372 fogos municipais com um investimento de 50,27 milhões de euros, financiado pelo PRR, numa intervenção considerada histórica pela autarquia e com arranque previsto para janeiro de 2026.
Mariana Moniz
Mariana Moniz Jornalista
11 jan. 2026, 12:27

Casas
Fotografia: Habitação | Unsplash

O Município de Vila Real de Santo António está a lançar a maior intervenção de sempre no parque habitacional de habitação social do concelho, anunciando um plano de requalificação estrutural que vai abranger 372 fogos distribuídos por todos os bairros municipais e freguesias, num investimento global de 50,27 milhões de euros financiado a 100% pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e pelo Programa 1.º Direito.

As obras estão programadas para arrancar ainda em janeiro de 2026 e decorrerão, em simultâneo e em várias frentes, ao longo do primeiro semestre do ano, numa operação considerada histórica pela autarquia. Ao contrário das intervenções pontuais realizadas no passado, o programa agora em curso prevê uma reabilitação profunda e integral das habitações, com o objetivo de melhorar significativamente o conforto, a segurança e a eficiência energética dos fogos que, em muitos casos, acumulam carências estruturais há décadas. 

Segundo a Câmara Municipal, os trabalhos incidirão sobre aspetos essenciais como o reforço estrutural dos edifícios, a melhoria da envolvente térmica e acústica, a realização de isolamentos e impermeabilizações de coberturas e a substituição total das redes de água, eletricidade, telecomunicações e saneamento. O município estima que estas intervenções permitam uma melhoria mínima de 10% no desempenho térmico das habitações, reduzindo consumos energéticos e elevando o bem-estar dos moradores. 

O presidente da Câmara, Álvaro Araújo, realçou que este investimento representa “o culminar de uma estratégia rigorosa para devolver dignidade e qualidade de vida a centenas de famílias”, sublinhando o impacto social e humano desta obra, que pretende resolver carências habitacionais históricas no concelho. 

Para minimizar o impacto das intervenções nos moradores, a autarquia desenvolveu um plano logístico que incluiu reuniões com os residentes dos bairros abrangidos e a implementação de soluções de alojamento temporário em mobile homes, onde necessário, mantendo as famílias próximas das suas comunidades enquanto as obras decorrem.

O orçamento total de 50,27 milhões de euros está distribuído por diversos bairros do concelho, com destaque para o Bairro de Santo António - que absorve mais de 20 milhões de euros para a reabilitação de 143 fogos - seguido pelo Bairro da Barquinha (73 fogos), o Bairro Caminhos de Ferro (33 fogos), o Bairro dos Navegantes (36 fogos), o Bairro do Encalhe (25 fogos), o Bairro da Caixa de Previdência (34 fogos), o Bairro da Manta Rota (19 fogos) e ainda 9 fogos dispersos pelo concelho. 

Com este plano ambicioso, a Câmara Municipal de VRSA pretende não só revitalizar urbanisticamente o parque habitacional social como também reforçar a justiça social e as condições de vida dos arrendatários, colocando as pessoas no centro das políticas públicas de habitação e ultrapassando barreiras financeiras que, durante anos, limitaram a capacidade de intervenção no setor.