Há cada vez mais pessoas a pagar pelo passeio dos seus animais
No meio de agendas cheias e dias que parecem não ter horas suficientes, aumenta a preocupação pelo cuidado e tempo dado aos animais de estimação. Aumenta, também, a procura de alternativas. No Porto, por exemplo, essa realidade abriu caminho a projetos como o Dog Walk Porto, que garante passeios regulares e acompanhamento profissional a cães e cuja procura tem aumentado.
O projeto de passeios e pet-sitting foi criado a pensar no bem-estar dos animais e na realidade das pessoas.
“Os cães não são um acessório da agenda humana. São uma responsabilidade”, afirma a fundadora e gestora do projeto, Magda Silva, em entrevista ao Conta Lá.
Foi precisamente dessa consciência, a par da necessidade social cada vez mais evidente, que nasceu o Dog Walk Porto, em 2022, gerido também com o filho de Magda, Martim Santiago.
A ideia surgiu da observação diária: “Víamos demasiados cães sozinhos, subestimados, fechados em casa. Pessoas com vontade de ter um animal, mas sem tempo e, muitas vezes, sem conhecimento das suas necessidades”, explica Magda. O problema não era a falta de carinho, mas a falta de disponibilidade.
Lá fora, em países da Europa e nos Estados Unidos, o serviço de dog walking já está bem desenvolvido. Mas em Portugal, não existia uma estrutura organizada que respondesse a essa realidade. Hoje, há pessoas que fazem a viagem de Aveiro para o Porto para deixar cães ao cuidado deste projeto.

Foto: Direitos Reservados
Um 'dog walker' para cada cão
Ao contrário do que acontece noutros serviços, neste projeto não se passeiam vários cães em simultâneo. “Por norma, é um dog walker para um cão. No máximo, dois. A nossa prioridade é sempre a segurança do animal”, sublinha a responsável. Para Magda, é pretendido um serviço de luxo, de cuidado mais único, fugindo à rapidez e ao “fazer por fazer”. E é até por esse motivo que, entre os serviços oferecidos, o tempo mínimo de um passeio é de uma hora.
Tudo começa com um contacto inicial, quase sempre via WhatsApp. Segue-se uma espécie de diagnóstico ao animal: hábitos, temperamento, necessidades, localização e frequência dos passeios. Só depois é escolhido o dog walker mais indicado, alguém com experiência ou formação na área e adequado ao perfil do cão.
“É muito mais do que passear o cão”
Com o crescimento do projeto, tornou-se claro que as necessidades iam além do passeio. Hoje, o Dog Walk Porto oferece também dog sitting e pet sitting, incluindo pernoitas, realizadas na sede, perto da Igreja de Cristo Rei, na Foz do Douro.
“Há clientes que precisam apenas do passeio, outros que precisam de deixar o cão uma ou duas noites. Personalizamos tudo”, explica Magda. O serviço adapta-se também a situações específicas, como cães com ansiedade, problemas de saúde, obesidade ou stress elevado.
O valor base de um passeio de uma hora é 15 euros, com descontos associados a pacotes mensais ou à contratação regular.
Embora o projeto esteja mais presente em zonas como Foz do Porto e Matosinhos Sul, há cada vez mais pedidos vindos do centro da cidade, muitos deles de turistas. “Muitas pessoas que viajam com o cão, ficam num hotel ou Airbnb e querem ir jantar fora, visitar um museu ou simplesmente passear sem o animal”, explica a fundadora do projeto.
Atualmente, o Dog Walk Porto conta com cerca de 30 pessoas na equipa. Há jovens estudantes, auxiliares de veterinária, pessoas com formação em comportamento animal e outras com longa experiência prática com cães. “Nós trazemos os clientes, os dog walkers fazem o que sabem melhor: cuidar dos animais”, afirma Magda Silva.
Em média, cada passeador acompanha cerca de cinco cães por dia, um número que reflete uma procura que não para de aumentar.

Foto: Direitos Reservados
Há mais projetos
Para a fundadora do projeto, este crescimento acompanha uma mudança social: “Hoje os cães são vistos como membros da família. Vivem dentro de casa, vão ao veterinário, exigem tempo e atenção.”
A adoção é importante e a falta de tempo nem sempre pode pesar como fator único nessa decisão, segundo Magda, que nos falou de iniciativas como o projeto “Vá Passear o Cão”, de um canil em Matosinhos. “Há cães incríveis nos canis. Passeá-los já faz diferença e muitas vezes é o primeiro passo para uma adoção.”