Já são cinco as capitais de distrito sem salas comerciais de cinema

O fecho das salas que a Cineplace explorava em Viana do Castelo deixou a cidade sem espaços de exibição comercial de filmes e colocou-a numa lista que já contava com Beja, Bragança, Guarda e Portalegre. A notícia segue uma tendência de encerramento de várias salas, que entre falências e mudanças comerciais, está a provocar mudanças bem visíveis.
Agência Lusa
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Tiago Oliveira Jornalista
27 jan. 2026, 08:00

Foram 16 as salas de cinema que desapareceram ontem em Portugal: às quatro do Estação Viana Shopping, em Viana do Castelo, juntaram-se as 12 do Nova Arcada, em Braga. Ambos os encerramentos têm como denominador comum a exibidora cinematográfica brasileira Cineplace - que chegou a ser segunda maior operadora do género a trabalhar em Portugal - e completa um processo de fecho de salas após um processo de insolvência.

À Agência Lusa, o presidente da Câmara de Viana do Castelo, Luís Nobre, revelou que tinha solicitado à Cineplace o levantamento “dos custos de aluguer de uma ou duas salas que a autarquia suportaria para manter a exibição de filmes” na capital de distrito. “Assumiram [Cineplace] que não tinham condições para manter as salas de cinema em funcionamento. Pedi informação sobre os custos associados de uma ou duas salas e estou a aguardar. Tive para mim que não [encerrariam] sem voltarmos a falar, nomeadamente para ponderar custos. Não fazia sentido fechar para depois reabrir caso a câmara assumisse os custos de funcionamento”, afirmou o autarca socialista.

Mas não se julgue que se trata de um caso isolado. O que está em causa é uma tendência aparentemente irreversível no imediato e que, por exemplo, no caso de Viana do Castelo, deixa a cidade minhota sem espaços comerciais de exibição de filmes e junta-a mais quatro capitais distritos que nos últimos meses viram as suas salas de cinema a serem fechadas. Beja, Bragança, Guarda e Portalegre são os restantes nomes na lista e as quebras nas bilheteiras e dificuldades em fazer face aos custos de manutenção deixa mais espaços em risco.

Olhemos para os números. Em 2025, Portugal perdeu 54 salas entre Portimão e Guia, Funchal, Seixal, Covilhã, São João da Madeira, e Loures, enquanto já este ano foram encerrados espaços de exibição em Leiria, Caldas da Rainha e Lisboa, além da supracitada Guarda. Por outro lado, o número de espectadores de cinema ficou-se pelos 10,9 milhões, segundo dados do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), o que significa uma queda de 8,2% face a 2024, e representa o valor mais baixo desde 1996, sem contar com a pandemia.

Grupo de trabalho

No panorama da exibição o líder destacado continua a ser a NOS Lusomundo Cinemas, mesmo com os dados a apontarem uma descida de 3,5% em receitas de bilheteira (para €48,2 milhões) e de 8,1% na bilheteira, com um total de 7,1 milhões de entradas. E foi também por causa deste cenário de mudança que entre as 213 salas de cinema que operava no final de 2025, já não fazem parte as que se encontram no centro comercial Alvaláxia, no Estádio José Alvalade, em Lisboa.

Os números do ICA e Instituto Nacional de Estatística mostram ainda que no campo das receitas, o valor atingido no ano passado foi de €70,5 milhões, uma quebra de 3,9% face a 2024. Uma tendência que ajuda a perceber a razão pela qual no Arrábida Shopping, em Vila Nova de Gaia, a exibidora espanhola UCI foi autorizada a desafetar nove de 20 salas, naquele que (ainda) é o maior complexo de cinema do país. 

Na sequência do fim da exibição de filmes em vários espaços, a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, anunciou a criação de um grupo de trabalho para refletir sobre a exibição de cinema e o encerramento de salas no país. Em dezembro, Margarida Balseiro Lopes disse à Agência Lusa que este grupo de trabalho, que integra a Inspecção Geral Das Actividades Culturais e o ICA, iria “olhar para o histórico dos últimos três anos” sobre pedidos de desafetação, e que terá conclusões no primeiro trimestre deste ano.