Comprar casa ficou mais barato em 15 concelhos

Os preços da habitação continuam a subir nas grandes cidades, mas há municípios onde comprar casa ficou mais barato em 2025. Dados do Idealista revelam descidas em 15 concelhos, que expõem um mercado imobiliário cada vez mais desigual.
Mariana Moniz
Mariana Moniz Jornalista
30 dez. 2025, 14:20

Preço das casas 2025
Fotografia: Comprar casa ficou mais barato em alguns concelhos do país | Unsplash

Em 2025, o mercado imobiliário português continuou a registar fortes pressões nos preços em muitas zonas urbanas, impulsionadas por procura robusta e oferta limitada. Ainda assim, os dados revelam que essa tendência não foi uniforme em todo o território. Em pelo menos 15 municípios, o preço de compra de casa caiu no último ano, num fenómeno que revela as profundas desigualdades regionais no acesso à habitação e a dinâmica diferenciada entre cidades e territórios periféricos.

O relatório mais recente do Idealista, uma das principais plataformas imobiliárias na Europa, mostra que concelhos como Golegã, Pampilhosa da Serra e Pombal lideraram as quedas de preço em 2025. Na Golegã, no distrito de Santarém, o preço mediano por metro quadrado caiu 15,3%, fixando-se em cerca de 1.083 euros por metro quadrado no final do ano. 

Logo a seguir, em Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, a correção foi de 12,3%, deixando o preço mediano em torno dos 477 €/m². No município de Pombal, em Leiria, o preço caiu cerca de 8%, para cerca de 1.162 €/m². Estes números mostram que nem todos os mercados se movem na direção das grandes metrópoles, onde o crescimento de preços continua vigoroso.

A lista de concelhos com descidas abrange diversas zonas do país. No Algarve, o município de Alcoutim viu o preço mediano das casas descer cerca de 6,7% para aproximadamente 1.081 €/m², enquanto no Alentejo, concelhos como Borba e Portel, no distrito de Évora, registaram quedas na ordem dos 5,3%, com preços de 875 €/m² e 758 €/m², respetivamente.

No interior centro e norte, concelhos como Gouveia (Guarda), Chamusca (Santarém), Penacova (Coimbra) e Tábua (Coimbra) também figuram entre os que viram preços cair entre 2% e 4,7%, com valores medianos a oscilar entre cerca de 500 €/m² e 756 €/m². Mais ao norte, em Melgaço (Viana do Castelo), Vila Real e Vizela (Braga), as descidas foram mais modestas, abaixo dos 2%, mas confirmam uma tendência de correção em zonas com procura menos intensa.

Além das descidas anuais, o estudo do Idealista identifica ainda os municípios mais baratos para comprar casa em cada distrito e ilha. Por exemplo, Pampilhosa da Serra aparece como o mais acessível no distrito de Coimbra, com cerca de 477 €/m², enquanto Nisa (Portalegre) surge com cerca de 498 €/m². Na Guarda, destaca-se Sabugal (505 €/m²) e, em Castelo Branco, Penamacor (510 €/m²). Nos Açores, Lajes do Pico figura com cerca de 1.084 €/m². Nos distritos de Lisboa e Porto, os valores mais baixos estão em Cadaval (1.550 €/m²) e Baião (957 €/m²), respetivamente.

Variação preço das casas 2025

 

Estes dados contrastam fortemente com o que se vê nas grandes áreas metropolitanas. Segundo outras análises de mercado, cidades como Lisboa e Porto continuam a apresentar preços significativamente acima da média nacional, com Lisboa a ultrapassar os 5.800 €/m² em 2025 em muitas zonas centrais e com tendência de crescimento anual. Esse movimento é reflexo de procura sustentada, tanto interna como externa, que pressiona os preços para cima, especialmente em mercados de baixa oferta.

A leitura global do mercado residencial português em 2025 combina assim duas realidades: uma forte apreciação em zonas urbanas densamente povoadas e uma correção de preços em territórios menos procurados. Essa correlação pode estar ligada a fatores demográficos, como a migração interna para centros urbanos, menor procura em regiões mais periféricas e a procura por parte de investidores que privilegiam mercados com maior liquidez e retorno potencial.

Alguns analistas do sector também realçam que, apesar das quedas pontuais, o mercado nacional continua valioso e competitivo no contexto europeu, com previsões de uma valorização moderada ao longo dos próximos anos, sustentada pela dinâmica económica e pelas condições de financiamento. No entanto, a escassez de oferta acessível em muitos centros urbanos, combinada com a queda relativa de preços noutras zonas, reforça o desafio de garantir acesso à habitação em todo o território.

No fim de 2025, fica claro que o caminho para equilibrar o mercado português passa por considerar estas diferenças regionais: enquanto comprar casa pode estar a ficar mais caro em Lisboa, Porto ou no litoral, há concelhos onde os preços estão a ajustar-se, criando janelas de oportunidade para compradores que procuram alternativas fora dos grandes centros.