Programação digital usada nas escolas do Algarve para combater insucesso escolar

Cerca de 8.000 alunos de 45 escolas públicas do Algarve vão participar, até 2027, no projeto IN:FORMAT, que visa reduzir o insucesso escolar e aproximar os estudantes das áreas digitais e científicas. A iniciativa inclui atividades de programação, workshops e formação de professores para tornar o ensino mais prático e motivador.
Agência Lusa
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22 jan. 2026, 12:28

Cerca de 8.000 alunos de 45 escolas públicas do Algarve vão participar, até 2027, no projeto IN:FORMAT, uma iniciativa para fomentar as competências digitais e combater o insucesso escolar, disse hoje à Lusa o promotor.

Promovido pela Fundação da Juventude, o projeto vai ser apresentado esta quinta-feira no Agrupamento de Escolas da Bemposta, em Portimão, no distrito de Faro.

Em declarações à Lusa, o presidente da Fundação da Juventude, Francisco Maria Balsemão, explicou que o objetivo é “combater a infoexclusão do digital, desmistificar a programação e aumentar o interesse por áreas científicas e tecnológicas”.

A iniciativa vai abranger, até 2027, alunos e professores dos 1.º, 2.º e 3.º ciclos, secundário e ensino profissional de oito agrupamentos escolares de Aljezur, Lagoa, Lagos, Loulé, Olhão e Portimão, um conjunto de Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP).

Segundo o responsável, a escolha do Algarve prende-se com o facto de a região apresentar “uma média de abandono e insucesso escolar bastante mais complicada e pior do que a média nacional”, tornando prioritária uma intervenção estruturada na aprendizagem digital.

A intervenção no Algarve é a terceira do programa, que começou há cerca de seis anos em escolas TEIP do norte do país e, posteriormente, alargado ao Alentejo.

Francisco Maria Balsemão sublinhou que o projeto visa não apenas ensinar tecnologias digitais, mas “motivar alunos, desde idades precoces, a olharem para as áreas das ciências, engenharia e matemática, onde existe um défice” de profissionais em Portugal e na Europa.

Para isso, o projeto recorre ao Micro:bit, um pequeno processador programável que permite introduzir conceitos básicos de ‘coding’ (em português, codificação), um processo que estimula a aprendizagem de programação de forma acessível e lúdica.

A ferramenta é usada de forma transversal em várias disciplinas, desde o Português à História, passando pela Educação Física e Matemática, áreas mais científicas e menos de letras, notou o responsável.

“O ‘coding’ não é nenhum bicho-papão”, afirmou Balsemão, acrescentando que os alunos podem, por exemplo, “construir linhas do tempo em História ou programar sistemas simples para registar tempos em atividades desportivas”, tornando a aprendizagem mais prática e motivadora.

Paralelamente, o projeto prevê a formação de professores de diferentes áreas disciplinares para poderem integrar a programação nas suas aulas e reforçar o trabalho em equipa, a criatividade e o pensamento crítico dos alunos.

O presidente da Fundação da Juventude destacou que, nas edições anteriores, foram registadas melhorias não só nas competências digitais dos estudantes, mas também no seu desempenho noutras disciplinas e no interesse geral pela escola.

“Esta metodologia inovadora motiva os alunos nas suas aprendizagens dentro do contexto escolar”, argumentou.

Em termos de avaliação, o impacto do programa será medido comparando o estado inicial — nomeadamente notas e níveis de aproveitamento —, com os resultados obtidos após a implementação das atividades.

No total, adiantou, o IN:FORMAT “tem a ambição de alcançar cerca de 18.000 jovens” nas três regiões onde já atua (Norte, Alentejo e Algarve). O projeto conta com o apoio do operador NOS, que assume o papel de investidor social.

Questionado sobre a continuidade da iniciativa, Francisco Maria Balsemão afirmou que a Fundação espera novas edições no futuro, mas admitiu que “tal dependerá da disponibilidade de orçamento e dos parceiros”.

De acordo com Francisco Maria Balsemão, o IN:FORMAT foi inspirado num programa semelhante implementado em escolas britânicas, após a então presidente executiva da Fundação ter visto um documentário da BBC sobre o impacto positivo da programação no sucesso escolar.

Os equipamentos utilizados ficam nas escolas, permitindo uma utilização continuada pelos alunos e professores para além do período formal do projeto, concluiu.