Portugal lança primeira metodologia do Mercado Voluntário de Carbono
Plantar árvores passou a ter um novo valor em Portugal. Com o arranque do Mercado Voluntário de Carbono, no final de 2025, o país começou a reconhecer o papel das novas florestas na redução dos gases com efeito de estufa e no reforço da área florestal.
Depois da primeira metodologia “Novas Florestações em Portugal” ter sido aprovada, o objetivo é claro: transformar solos agrícolas, matos ou pastagens em locais aptos a contribuir positivamente para a redução dos gases com efeito de estufa, traduzindo-os em emissão de créditos de carbono.
O que é o Mercado Voluntário de Carbono?
O Mercado Voluntário de Carbono em Portugal permite aos promotores, sejam empresas, autarquias ou particulares, transformarem áreas agrícolas, pastagens ou matos em novas áreas florestais que sequestrem carbono da atmosfera. Ao fazê-lo, estes projetos ajudam a reduzir os gases com efeito de estufa e recebem créditos de carbono que podem ser certificados e utilizados para compensar as emissões.
Primeira fase da metodologia
No caso da primeira metodologia, o foco está no aumento da área florestal em solos onde não existiam terrenos ocupados por árvores nos últimos anos. O mercado vai dar prioridade a áreas vulneráveis a incêndios e a zonas protegidas, onde a criação da floresta contribui para a biodiversidade e para a manutenção do solo.
Ficam excluídas as florestas plantadas em faixas de gestão de combustível, zonas de proteção de povoações ou áreas de interesse arqueológico, além de projetos que impliquem cortes prévios de árvores nativas de grande porte ou práticas silvícolas ambientalmente agressivas.
As entidades ou pessoas responsáveis pelos projetos, devem garantir a preservação das espécies plantadas entre 30 e 50 anos, com uma possibilidade de extensão até 100 anos, sujeitos a avaliações regulares por entidades independentes, realizadas a cada cinco anos.
Nestas novas áreas apenas espécies recomendadas pelos Planos Regionais de Ordenamento Florestal, que variam consoante a região, podem ser plantadas, para garantir a adaptação ao solo.
Além dos créditos convencionais, é possível gerar Créditos de Carbono+ (CC+), recompensando ações que promovam a conservação da biodiversidade e a saúde do solo, como a restauração de coberto florestal, manutenção de paisagens intactas ou redução da erosão.
Para o Governo, esta metodologia representa um primeiro passo decisivo para consolidar o Mercado Voluntário de Carbono em Portugal, abrindo portas para uma economia mais verde, resiliente e sustentável.