No Fundão, há uma aldeia a ser abastecida de água por cisterna desde agosto
A aldeia de Mata da Rainha, no Fundão, está desde agosto a ser abastecida de água através de um camião-cisterna, confirmou o presidente da União de Freguesias de Vale de Prazeres e Mata da Rainha.
Paulo Afonso Boavida, disse à agência Lusa que o fornecimento de água à aldeia “foi interrompido em agosto, na sequência de uma rutura na conduta de abastecimento”, um problema que encontrou quando tomou posse.
Os técnicos da Águas do Vale do Tejo (AdVT), empresa do grupo Águas de Portugal (AdP) que gere o abastecimento em alta também neste município do distrito de Castelo Branco, identificaram que a rutura da conduta está num ponto que fica em Pedrógão de São Pedro, no Concelho de Penamacor.
Só não foi reparada de imediato porque os proprietários do terreno não permitem a entrada dos técnicos, alegando que “é uma propriedade privada” e que a conduta foi ali colocada “sem o seu conhecimento”.
É este litígio, que está a ser dirimido entre os donos e a empresa, que tem deixado a população à mercê dos abastecimentos através do camião-cisterna, um custo suportado pela AdP.
Paulo Afonso Boavida sabe que este pagamento está certo, mas quer saber quem paga os danos provocados na calçada da rua de acesso ao depósito, se a AdP ou a Aquafundalia – Águas do Fundão, que garante a distribuição em baixa (até aos contadores domésticos), ou até mesmo o município.
“A calçada, com a passagem frequente destes pesados, está estragada, um dano que também já se estendeu a um muro particular”, reitera à Lusa.
Outra das situações que o autarca aponta é “a falta de manutenção do próprio depósito. Além de uma limpeza profunda, que é preciso fazer, o depósito apresenta várias fissuras, o que provoca perdas de água”.
À Lusa, a AdP esclarece que “a AdVT sempre garantiu e continuará a garantir o serviço de abastecimento de água em quantidade e qualidade à população, prevendo-se a formalização de acordo com os proprietários do terreno para permitir condições de reparação da conduta”.
Relativamente ao reservatório, “o mesmo não pertence à AdVT, pelo que a sua manutenção é da responsabilidade de outra entidade”, mas “no que respeita à estrada, sem prejuízo de a mesma dever encontrar-se tecnicamente preparada para trânsito de veículos pesados, a AdVT irá repor as suas condições”.
Miguel Gavinhos, presidente da Câmara Municipal do Fundão, lembra que “o corte de abastecimento público de água a Mata da Rainha foi detetado quando o concelho estava a ser assolado pelo grande incêndio de Piódão, mas a prioridade foi contactar de imediato a AdVT para garantir que a população não ficava sem água na torneira”, o que, segundo o autarca “foi cumprido”.
Quanto ao diferendo, sublinha que “este litígio trouxe muitos prejuízos, não só o encargo com o transporte da água até ao depósito, mas também com o volume de água que se perde com esta situação”, esperando que a situação se resolva em breve, reiterando que “a proprietária estará a reivindicar uma compensação para deixar entrar os técnicos e é desse acordo que tudo está dependente”.
O município aguarda que tudo volte à normalidade para “proceder à higienização do depósito e reparar também as fissuras”, sendo esta ação da sua competência.