Excessos de Natal: o segredo está em voltar à rotina sem restrições

Muitos portugueses recorrem a dietas restritivas para "compensar" os exageros cometidos à mesa. Mas a chave está em regressar à rotina e a uma alimentação equilibrada.
Regina Nunes
Regina Nunes Jornalista
26 dez. 2025, 09:15

Mesa com vários doces de Natal
Fotografia: Retomar a alimentação equilibrada e ouvir os sinais de saciedade são essenciais para preservar a saúde após o Natal

O Natal é, tradicionalmente, uma época marcada por excessos à mesa, mas os efeitos de uma alimentação desequilibrada não se limitam a esta quadra. Para a nutricionista e professora universitária Conceição Calhau, a questão do consumo exagerado e dos erros alimentares prolonga-se ao longo do ano: “O Natal deveria ser uma exceção. Continuamos a cometer erros alimentares durante todo o ano e, depois das festas, o passo mais importante é retomar a alimentação que deveríamos ter de rotina”, explica, em entrevista ao Conta Lá.

Muitas pessoas sentem a necessidade de compensar os excessos através de dietas restritivas, jejuns ou sumos detox. No entanto, a especialista alerta que estas práticas não apresentam nenhum benefício para a saúde: “Uma restrição não compensa o excesso. Não existe um 'antídoto' para os exageros. A atitude de tentar compensar através de dietas radicais está muitas vezes associada a uma relação conflituosa com a comida. O mais importante é encarar o Natal como uma época de convívio e família, e não apenas na comida”, afirma.

Comer com consciência e sem culpa é, para a nutricionista, um dos principais segredos para se recuperar dos excessos: “Comer com culpa faz mal ao processo digestivo e ao equilíbrio corporal. Se uma pessoa mantém uma rotina equilibrada durante o ano, os excessos do Natal nunca serão excessos reais”, explica. 

De acordo com a especialista, controlar o apetite e ouvir os sinais de saciedade permite travar comportamentos como deixar de comer para “guardar espaço para os doces” ou ingerir alimentos de forma desorganizada, que levam a exageros desnecessários. Estratégias simples como comer devagar, mastigar bem e optar por alternativas mais leves, por exemplo, fruta laminada com canela, ajudam a manter o equilíbrio durante as refeições.

A rotina e o autocuidado ao longo do ano são essenciais para que os excessos festivos não comprometam a saúde: “Um excesso ocasional não tem grande impacto, mas padrões repetidos de comportamento alimentar desordenado podem trazer problemas”, explica Conceição Calhau. 

A nutricionista recorre ainda um exemplo prático do dia a dia para explicar como funciona este processo: “O corpo tem memória metabólica, ou seja, um comportamento pontual é a exceção, mas quando se repete torna-se a regra. O mesmo acontece com o exercício físico: fazer duas vezes por semana é a exceção e não a regra. Da mesma forma, um excesso num dia não tem grande impacto, mas se forem todos os dias torna-se um problema”, esclarece.

Por isso, a nutricionista considera que o Natal deve ser vivido como um momento de convívio e bem-estar e não de culpa ou obsessão com dietas restritivas. Retomar uma alimentação equilibrada, respeitar a saciedade, manter rotinas saudáveis e comer de forma consciente são os aspetos fundamentais para preservar a saúde ao longo de todo o ano.