Covilhã: critérios no aumento de vagas do ensino superior são "retrocesso nas políticas de coesão"

O presidente da câmara da Covilhã diz que o fim dos critérios territoriais no aumento de vagas no ensino superior é um retrocesso nas políticas de coesão territorial. Autarquia aprovou por unanimidade moção que pede prioridade para as instituições do interior do país na atribuição de vagas.
Hugo Gonçalves
Hugo Gonçalves Jornalista
23 dez. 2025, 11:15

Fachada da Câmara Municipal da Covilhã.
Fotografia: O autarca da Covilhã quer que o Governo tenha em consideração as necessidades de coesão e desenvolvimento territorial.

O presidente da câmara da Covilhã, Hélio Fazendeiro, acredita que o "aparente abandono" dos critérios territoriais no aumento de vagas no ensino superior vai ser "mais um retrocesso nas políticas de coesão territorial". Em declarações ao Conta Lá, o autarca fala no recuar da promoção do "desenvolvimento integrado do Portugal 'de dentro', que são dois terços do país".

O município da Covilhã aprovou, esta sexta-feira, uma moção que defende que o aumento seja atribuído preferencialmente às instituições do interior do país, ao contrário do que está previsto para o próximo ano letivo. A moção, apresentada pelo presidente do executivo foi aprovada por unanimidade em reunião municipal.

Em comunicado, a autarquia refere que "há vários anos que o aumento de vagas é previsto que aconteça sobretudo nas instituições do interior" e assinala "surpresa pelo abandono dessa política já no próximo ano letivo". Com a moção apresentada, Hélio Fazendeiro quer "fazer com que o Governo leve em conta as necessidades de coesão e desenvolvimento dos territórios, dando oportunidades às universidades e aos institutos politécnicos fora dos grandes centros urbanos", afirma. 

Para o autarca, o aumento de vagas no interior está intrinsecamente relacionado com a atração e fixação de jovens nos territórios. É uma forma de "atrair mais jovens, que serão futuros quadros qualificados e podem fixar-se nestes territórios", o que "promove a coesão territorial e o desenvolvimento sustentável de todo o país", reforça.

Hélio Fazendeiro destaca "a importância que as entidades e instituições de ensino superior têm no desenvolvimento do território e da coesão territorial", por moldarem "o futuro da fixação de empresas e da formação de quadros para a economia local". 

O despacho orientador do Ministério da Educação, Ciência e Inovação para a fixação de vagas no ensino superior do próximo ano letivo fixa o aumento de lugares nos cursos superiores em 5% e prevê flexibilidade na transferência de vagas não ocupadas. A linha orientadora fala ainda na maior autonomia das instituições na fixação de vagas para garantir o ajuste entre procura e oferta. As vagas para o ensino superior são divulgadas a 16 de fevereiro, segundo comunicado do ministério.