Como começar o novo ano de forma mais saudável: os conselhos dos especialistas
O ano novo, é para muitos, um momento de reorganização de prioridades. No campo da saúde, a tentação de “compensar” os excessos das festas com mudanças drásticas é frequente. No entanto, para o médico de Medicina Geral e Familiar, Paulo Santos, esse é precisamente o erro mais comum: “Os objetivos de saúde não podem mudar por ser início de ano. Devemos ter uma alimentação equilibrada, uma atividade física regular e um estilo de vida saudável sempre”, sublinha, em declarações ao Conta Lá.
O regresso à rotina deve, por isso, ser encarado como um reajuste natural, e não como uma fase de punição: “Falar do pós-festas é falar em retomar hábitos que já deveriam existir, não em criar regras novas”, explica o médico.
Alimentação equilibrada começa nas compras
Uma alimentação saudável começa, muitas vezes, fora de casa, isto é, no momento de ir às compras. Paulo Santos destaca que uma escolha consciente dos alimentos no supermercado é determinante: “Se selecionarmos melhor o que compramos, aquilo que temos disponível no frigorífico será automaticamente mais saudável.”
O médico defende uma alimentação baseada em produtos frescos e da época, com preferência para legumes e cereais, com moderação no consumo de sal e especial atenção às gorduras saturadas e às bebidas alcoólicas, fatores que contribuem para o aumento das doenças cardiovasculares, obesidade e doenças metabólicas.
A nutricionista Maria Inês Antunes reitera a importância de evitar restrições extremas, sobretudo quando são feitas sem acompanhamento profissional: “dietas detox, jejuns reforçados ou cortes alimentares agressivos podem levar a défices nutricionais e não são sustentáveis”, alerta em entrevista ao Conta Lá.
No dia a dia, pequenas estratégias podem fazer a diferença. A primeira refeição do dia, por exemplo, deve ser feita quando existe apetite: “O pequeno-almoço é importante, mas deve ser feito quando há fome. Jejuns naturais são aceitáveis, jejuns provocados, apenas porque sim, não são uma opção”, explica a nutricionista.
A recomendação passa por privilegiar proteínas e gorduras saudáveis, como os ovos, o azeite, o abacate ou os frutos secos, deixando os hidratos de carbono, como a fruta, para o final da refeição, ajudando a evitar picos de açúcar no sangue. Nas refeições principais, o procedimento deve manter-se igual: começar pelos legumes ou salada, seguir para a proteína e terminar com os hidratos de carbono: “Não é eliminar alimentos, é organizar melhor a refeição”, resume.
Exercício físico: o melhor investimento a longo prazo
A atividade física continua a ser um dos pilares fundamentais para uma vida saudável. Para o médico Paulo Santos, não existe uma atividade única ou perfeita: “Qualquer atividade é válida, desde que seja regular e adaptada ao gosto e à capacidade de cada pessoa”. As recomendações da Organização Mundial da Saúde apontam para pelo menos 30 minutos de atividade física, cinco dias por semana. Caminhadas, jardinagem, dança ou natação são exemplos de atividades acessíveis, sobretudo para quem tem pouco tempo.
Maria Inês Antunes acrescenta que uma simples caminhada após as refeições principais pode ter um impacto bastante positivo: “Uma caminhada de 20 minutos ajuda a regular a glicemia, melhora a digestão e contribui para o controlo da ansiedade”, explica.
Dormir melhor, gerir o stress e cuidar da saúde mental
Para além da alimentação e do exercício, Paulo Santos chama a atenção para fatores frequentemente negligenciados, como o sono e a gestão do stress: “Dormir mal tem um impacto direto no metabolismo, no peso e na qualidade de vida”, afirma.
Hábitos como evitar a exposição aos ecrãs antes de dormir e a capacidade de lidar com fatores de stress do dia a dia são determinantes para o equilíbrio físico e mental: “Não controlamos tudo o que nos gera stress, mas podemos controlar a forma como reagimos”, sublinha.
Na esfera emocional, a nutricionista Maria Inês Antunes alerta para a relação com a comida marcada pela culpa: “Quando existe culpa, existe quase sempre uma relação desajustada. O equilíbrio passa por focarmo-nos no que devemos comer e não no que é proibido”, defende.
Um recomeço baseado na prevenção e no equilíbrio
O médico destaca ainda a importância da prevenção ao longo do ano. A adesão aos rastreios, o controlo regular da tensão arterial, do peso, do colesterol e do açúcar no sangue permitem identificar problemas precocemente, muitas vezes antes de surgirem sintomas.
Mais do que qualquer promessa, os especialistas defendem que as pessoas devem assumir compromissos realistas com a própria saúde. Beber água regularmente, alimentar-se com equilíbrio, manter o corpo ativo, dormir melhor e procurar ajuda profissional sempre que necessário são os passos mais importantes e eficazes para um ano saudável: “O equilíbrio é a base de tudo”, conclui Maria Inês Antunes.