Centro de Artes e Espetáculos não avança em Viseu por "falta de financiamento"

O presidente da Câmara Municipal de Viseu admite que a obra do centro de artes e espetáculos (CAEVis) da cidade não avança por falta de financiamento.
Agência Lusa
Agência Lusa
23 dez. 2025, 15:02

Imagem aérea do centro da cidade de Viseu
Fotografia: Projeto de Centro de Artes e Espetáculos "cai", diz presidente de Câmara. Imagem: CM Viseu

“O orçamento do CAEVis foi sempre apontado para 15, 19, 20 milhões de euros, mas o que está no projeto é um orçamento de 34,488 milhões, ou seja, é um valor muito acima. Não há financiamento, portanto, se não há financiamento, o projeto cai”, assume o presidente da Câmara de Viseu, João Azevedo.

Declarações do autarca socialista falava após a reunião pública do executivo municipal em que foi aprovado, com a abstenção do vereador da oposição Bernardo Pessanha (Chega), o pagamento da última ‘tranche’ do projeto, e uma alteração para aumentar os lugares no exterior do CAEVis mandado realizar sob a presidência de Fernando Ruas (PSD), num total que ronda os 800 mil euros.

Um procedimento administrativo normal, já que se tratou da “autorização do pagamento que, obviamente, tem de ser feito, porque a Câmara não vai ficar a dever ao projetista que já teve o trabalho” realizado.

O edil admite ter sido “confrontado com um orçamento de 34,488 milhões, mais os projetos”, um realizado há sensivelmente 15 anos, um segundo no anterior mandato (Fernando Ruas) e recentemente uma alteração a esse projeto, num “total de quase dois milhões”.

“A nossa preocupação é sempre a mesma: quem financia este projeto? Foi-nos sempre dito que havia uma fonte de financiamento, mas não há fonte nenhuma. O CAEVis não tem apoio financeiro nenhum”, assegura.

“Se a obra tivesse financiamento de fundos comunitários eu ia a jogo, mas a obra não tem. Não tem financiamento no orçamento de Estado, nem em fundos comunitários. Não tem”, acrescenta João Azevedo.

Assegurando que o executivo “está sempre à procura de financiamentos”, o autarca reconhece que, “a construção de uma infraestrutura desta natureza, hoje, não encaixa no orçamento de Estado, no PRR [Plano de Recuperação e Resiliência], nem no ITI [Investimentos Territoriais Integrados], nem no PT2030, nada”.

João Azevedo reconhece que o executivo está “mesmo numa fase de análise” sobre o que fará no futuro em relação a um espaço para espetáculos culturais, uma vez que, reconheceu, “o pavilhão multiusos não tem uma boa acústica”.

“Eu percebi que há ali algumas lacunas, portanto, aquando da construção daquele pavilhão não se devia ter dito que era multiusos, porque se fosse teria outras condições para espetáculos de outra natureza”, sublinha o presidente da Câmara.