Bolo-rei de pistácio e bolo-rei de castanha ganham protagonismo na Beira Interior

Bolo-rei, rabanadas ou sonhos entre os doces mais procurados nas pastelarias da Beira Interior.
Inês Miguel
Inês Miguel Jornalista
23 dez. 2025, 17:30

A imagem ilustra Ana Machado da Pastelaria Arte e Doce, no Fundão, com cerca de 200 encomendas para o Natal
Fotografia: Na Pastelaria Arte e Doce, no Fundão, o bolo-rei de pistácio o bolo-rei de castanha são os mais procurados

"Não temos mãos a medir. Seja colocar bolos na montra ou para dar resposta às encomendas que saem ou até mesmo para atender o telefone. São dias de muito trabalho", refere Ana Machado, da Pastelaria Arte e Doce, no Fundão, onde as encomendas encerraram dia 15 de dezembro. "Há pessoas que já vêm buscar bolos desde o dia 18", garante.

Ainda que os doces tradicionais continuem a ter lugar garantido à mesa, sem perder protagonismo, há cada vez mais espaço para inovações. No caso deste estabelecimento, o que se vende mais é bolo-rei de castanha e o bolo-rei de pistácio, em que o preço do quilo é de 26,5 euros, um aumento de um euro e meio em relação ao ano anterior.

Na véspera da consoada, saíram 500 encomendas. “No caso do dia 24, para além das encomendas fazemos sempre a mais para as pessoas que vêm comprar à última hora”, afirma Ana Machado, assegurando que o bolo-rei e o bolo rainha têm também muita saída.

João Martins, residente na cidade da Covilhã, esteve na fila da Padaria Dias, no Tortosendo, durante 15 minutos para comprar rabanadas, filhoses, empadas e sonhos que não tinha encomendado. “Vim à sorte, mas correu bem. Tenho sempre casa cheia, felizmente, nesta quadra natalícia e, por isso, faço questão de comprar tudo para complementar a mesa de consoada e de Natal, onde os doces não podem faltar”, confessa.

Na mesa de Elisabete Falcão não pode faltar o bacalhau, as batatas, as couves. Outras sobremesas como o arroz-doce ou a aletria, que não são necessariamente típicas do Natal e são comidas todo o ano, fazem também parte do menu de Natal da família de Elisabete e “feitas em casa, claro”.

Cliente assídua da Padaria Dias, fez a encomenda no início do mês para assegurar que tinha o bolo-rainha. “Como não gosto de frutas cristalizadas, o bolo rainha feito com frutos secos é uma ótima opção e o daqui é divinal. Vou aproveitar ainda para para levar o Panetone de chocolate para experimentar", conta. Por uma questão prática, decidiu levantar as encomendas no dia 23. “Trabalho no dia de consoada e então quis antecipar tudo o que podia fazer. Assim garanto que mesmo se faltar alguma iguaria à ultima da hora tenho tempo de vir comprar”.
 
José Carlos Santos, um dos proprietários da Padaria Dias, orgulha-se do trabalho realizado por estes dias. É uma empresa de família, de que até os netos já fazem parte. O pai de José Carlos, de 83 anos, que costuma ir diariamente à padaria beber café, nestes dias foi chamado para ajudar na tarefa. O bichinho ainda está cá e no que eu ajudar faço questão de estar presente”, refere enquanto amassa os bolos. Por aqui também não há mãos a medir. “Os dias não têm fim, por mais que uma pessoa esteja preparada, há sempre filas”, conta José Carlos Santos, que assegura que os preços aumentaram em média um euro por quilo.

Na Padaria Dias as encomendas fecharam no dia 20, "mas há sempre aqueles clientes e amigos que se esquecem e que não podemos dizer que não, para além de que tentamos sempre ter a montra cheia para dar resposta aos clientes que nos procuram por estes dias". "Aumentámos um pouco os preços uma vez que, por exemplo, a avelã duplicou o preço. É inevitável”, explica. Desde o dia 20 têm saído mais de 300 encomendas por dia e o pedido mais vendido é o bolo rainha, para além do escangalhado, bolo-rei, panetones, filhoses, lampreias, tarte de amêndoa e outras novidades.

Por esta altura trabalham 42 pessoas na empresa, mais sete do que o habitual. "O domingo antes do dia 25 é o dia em que trabalhamos mais no ano e, se não for assim, não vale a pena. No dia 22 parámos às 20 horas, recomeçámos às 22 horas e só paramos às 16 horas do dia de consoada."

Se o volume de trabalho aumenta consideravelmente com a chegada da quadra natalícia, os dias 23 e 24 de dezembro são os "mais loucos" também na Padaria e Pastelaria Pérola Doce na Covilhã, onde não se aceitam encomendas desde domingo e para dia 24 há 700 encomendas. "Hoje não vamos dormir”, garante o proprietário Jorge Correia.

Dias de grande azáfama, mas que no final confessam "valer a pena" e com o sentimento de dever cumprido na tarefa de satisfazerem os clientes e visitantes que procuram a Beira Interior para viver a época natalícia.