Vila Viçosa, o lugar onde “ardeu tudo” e o silêncio impera

Vila Viçosa foi um dos lugares mais críticos da passagem do fogo este verão, no concelho de Arouca. Maria Alice Soares viu a casa parcialmente destruída pelas chamas. Cinco meses depois do fogo, aguarda ainda por ajuda. Também o Centro Cultural e Recreativo de Vila Viçosa anseia a chegada de apoios para recuperar o campo de jogos, afetado pelo fogo três dias após ser inaugurado.
Pedro Marcos Editor de imagem
Ana Rita Cristovão
Ana Rita Cristovão Jornalista
João Lacerda
30 dez. 2025, 20:00

O nevoeiro cerrado da aldeia de Vila Viçosa, em Arouca, esconde o rasto de destruição que as chamas deixaram à sua passagem. Com pouco mais de 100 habitantes, num lugar onde o silêncio é ensurdecedor, o cheiro a cinzas ainda paira no ar.  

Num dia de inverno rigoroso, o Conta Lá acompanhou Maria Alice Soares numa visita ao que restou da sua casa, a única afetada diretamente pelos incêndios de Arouca de julho de 2025. 

Aos 81 anos, ficou sem teto e divide agora os dias entre o Centro Social de Espiunca e Canelas e a casa da filha. Mas a esperança é a de que voltar um dia à casa que construiu com o que ganhava na floresta, a “cortar lenha junto dos homens”. 

Lenha que também se queimou junto ao campo de jogos do Clube Cultural e Recreativo de Vila Viçosa: três dias após a inauguração do primeiro campo sintético que a terra viu nascer, o fogo deitou por terra o sonho de sempre de um clube da terra.