Proteção Civil avisa que recuperação nas bacias do Tejo e Mondego será prolongada

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil alertou que a reposição da normalidade nas zonas afetadas pelas cheias nas bacias do Tejo e do Mondego será demorada, com campos agrícolas ainda submersos, apesar de sinais positivos quanto ao risco de inundação na cidade de Coimbra.

Agência Lusa
Agência Lusa
13 fev. 2026, 20:42

A Proteção Civil alertou hoje que a recuperação das regiões afetadas pelas cheias será longa, nomeadamente em Coimbra, na zona do Rio Tejo e do Rio Mondego, indicando que os campos agrícolas irão permanecer inundados.

“As situações de cheias mais rápidas, como por exemplo na zona de Alcácer do Sal, retomarão à normalidade, ou potencialmente retomarão a normalidade mais rapidamente. Mas estas zonas, quer no Tejo quer no Mondego levarão algum tempo até repormos a normalidade”, disse o comandante nacional de Proteção Civil, Mário Silvestre, na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) em Carnaxide, Oeiras.

O responsável afirmou que os campos permanecerão inundados nessas zonas e “também as estradas devem continuar cortadas e a recuperação pode levar dias ou semanas”.

Mário Silvestre manteve que o risco significativo de inundações se mantém no Rio Mondego devido à rotura do dique na quarta-feira, na margem direita do rio.

Em relação ao Rio Tejo, os afluentes provenientes de Espanha continuam com “descargas significativas dessas barragens”, o que “continuará a ter impacto na zona mais ribeirinha da Lezíria do Tejo”, segundo o comandante.

“Recomendamos às pessoas que tenham os devidos cuidados nestas zonas”, acrescentou Mário Silvestre.

O comandante referiu que a manutenção dos caudais na bacia do Rio Mondego e na Barragem da Aguieira (Coimbra) dá uma perspetiva “muito positiva em relação à não inundação da zona baixa de Coimbra".

Já ao início da noite a presidente da Câmara Municipal de Coimbra disse que “a situação de maior risco desapareceu” referindo-se à inundação da baixa da cidade.

O Rio Soraia também continuará fora do seu leito, mas com uma diminuição significativa das afluências, segundo Mário Silvestre.

O comandante afirmou que a precipitação irá manter-se até ao final do dia de hoje, sendo que para sábado e domingo há possibilidade de diminuir gradualmente a sua frequência passando a aguaceiros.

Os rios que continuam em risco de inundação são o Minho, o Coura, o Lima, o Cávado, o Ave, o Douro, o Tâmega, Sousa, o Vouga, o Águeda, o Lis, o Nabão e o Guadiana.

Entre o dia 1 de fevereiro e hoje foram registadas 17.833 ocorrências, sendo as principais quedas de árvores e inundações.

Dentro das ocorrências registadas também estão as derrocadas, que segundo o comandante são as que mais provocaram desalojados por tempo prolongado.

Nos efeitos expectáveis do mau tempo nos próximos dias está o deslizamento de terras, colapso de vias rodoviárias e encostas, “bem como o piso rodoviário ainda bastante escorregadio e, eventualmente, algumas zonas obstruídas”, segundo o comandante.

Mário Silvestre indicou que o serviço de distribuição de energia elétrica em Portugal, E-Redes, contabilizou 45.000 clientes sem energia.