Quedas de árvores e estruturas, estradas cortadas, localidades sem água. Depressão Kristin causa rasto de destruição
(Em atualização)
A Proteção Civil registou cerca de 2600 ocorrências esta madrugada devido à passagem da depressão Kristin. O Governo confirmou dois mortos devido ao mau tempo.
Segundo a Proteção Civil, entre a meia-noite e as 8 horas foram registadas cerca de 1500 ocorrências, sobretudo quedas de árvores e de estruturas, com maior incidência no distrito de Lisboa, na Península de Setúbal e na região Oeste. Só no distrito de Lisboa foram contabilizadas 217 ocorrências, às quais se juntam 104 na Península de Setúbal e 82 na região Oeste. Na Grande Lisboa, os Sapadores Bombeiros registaram dezenas de quedas de árvores, incluindo na Segunda Circular.
A situação é descrita como “muito gravosa” no distrito de Leiria, onde há relatos de elevados danos em edifícios, linhas telefónicas e elétricas, além de estradas cortadas e falhas no fornecimento de energia. Portugal continental continua sob forte instabilidade devido à depressão Kristin, classificada pelo IPMA como um fenómeno de “ciclogénese explosiva”. A Proteção Civil mantém o nível máximo de prontidão em toda a faixa costeira entre Viana do Castelo e Setúbal, sendo a região entre Aveiro e Leiria considerada a de maior risco.
Governo lamenta duas mortes
O Governo lamentou esta quarta-feira duas mortes sequência do mau tempo e salientou o papel da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), dizendo que este organismo “prestará as informações adequadas em breve”.
Uma destas vítimas morreu em Povos, Vila Franca de Xira, após a queda de uma árvore sobre o carro em que seguia, na sequência do mau tempo provocado pela depressão Kristin.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil também avançou à Lusa que outra pessoa morreu em Monte Real, em Leiria, devido à “queda de uma estrutura” causada pelo vento forte e mau tempo.
Num comunicado emitido pelo gabinete do primeiro-ministro, refere-se que “o Governo tem estado a acompanhar em permanência o impacto da tempestade ‘Kristin’ em território nacional".
Redes fixa e móvel de Vodafone e MEO com cortes nos centro do País
A tempestade provocou danos nas infraestruturas das operadoras de telecomunicações, com cortes em linhas de fibra ótica que afetaram os serviços de telefone e comunicações móveis e fixas, sobretudo na região centro do país.
A Vodafone e MEO confirmaram falhas associadas aos estragos nas redes e a cortes prolongados de energia elétrica, tendo ambas ativado planos de contingência e mobilizado equipas técnicas no terreno para recuperar os serviços com a maior rapidez possível, em articulação com as autoridades e a Proteção Civil.
REN começa a repor linhas de alta tensão. Um milhão de clientes foram afetados
A REN está a repor linhas de alta tensão danificadas pela tempestade Kristin na Batalha (Leiria) e Rio Maior (Santarém), após ventos de cerca de 200 km/h provocarem interrupções localizadas no fornecimento de eletricidade.
A E-Redes registou até um milhão de clientes afetados, sobretudo nos distritos de Coimbra, Leiria, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Santarém e Setúbal, com 1200 operacionais a trabalhar no terreno.
Várias localidades em Coimbra sem água
Várias localidades do concelho de Coimbra estão sem abastecimento de água na sequência da passagem da depressão Kristin, informou a empresa Águas de Coimbra. A falha deve-se a cortes de energia elétrica que deixaram inoperacionais alguns hidropressores, afetando zonas como Cruz dos Morouços, Arzila, Vale da Luz, Vendas de Ceira, entre outras. A empresa garante que está a acompanhar a situação e que prestará atualizações assim que possível.
Portugal continental continua a ser fortemente afetado pela depressão Kristin, que surge após as tempestades Ingrid e Joseph, trazendo chuva intensa, vento forte, neve e agitação marítima. A Proteção Civil ativou o nível máximo de prontidão em toda a faixa costeira entre Viana do Castelo e Setúbal, sendo os distritos de Coimbra e Leiria dos mais atingidos pelo vento. Em Vila Franca de Xira, a queda de uma árvore sobre uma viatura causou a morte de uma pessoa. O IPMA classificou a depressão Kristin como um fenómeno de “ciclogénese explosiva”, devido à sua elevada intensidade.
Roda gigante da Figueira da Foz caiu
Figueira da Foz também não escapou ao mau tempo durante esta madrugada e acumulou vários estragos, incluindo a queda da roda gigante instalada na marginal. Também parte do telhado da antiga Universidade Internacional desabou, atingindo pelo menos sete viaturas. Registaram-se ainda danos na esquadra da PSP e o corte da antiga Estrada Nacional 111, entre Maiorca e Montemor-o-Velho, devido à queda de árvores na chamada Estrada das Pontes.

Foto: Paulo Novais/ Lusa
Árvore cai sobre camião e deixa condutor ferido em Castelo Branco
Um condutor de um veículo pesado ficou ferido ligeiramente em Castelo Branco após a queda de uma árvore sobre o camião em que seguia. O acidente ocorreu cerca das 7 horas e a vítima foi transportada para o Hospital Amato Lusitano, segundo os Bombeiros Voluntários de Castelo Branco. As equipas de emergência estão a dar prioridade à desobstrução de vias e estradas sem alternativas.
Algarve teve essencialmente quedas de árvores
No Algarve, o vento forte causou essencialmente várias quedas de árvores no Algarve durante esta madrugada, sem registo, até ao momento, de situações graves, informou a Proteção Civil. Entre as 3 e as 6 horas foram registadas a maior parte das ocorrências, distribuídas por todo o distrito de Faro, envolvendo 72 ocorrências e 210 operacionais. O mau tempo começou a desagravar a partir das 09:00.
Segundo o IPMA, no Algarve registaram-se rajadas muito intensas, com Faro a atingir 100 km/h e as serras algarvias até 130 km/h.
Escolas encerradas em vários pontos do país
Várias escolas encontram-se encerradas em diferentes pontos do país devido às condições meteorológicas adversas. No distrito da Guarda, são várias as escolas afetadas, incluindo o Instituto Politécnico da Guarda, enquanto no distrito de Castelo Branco os estabelecimentos de ensino também estão fechados. Em Pombal, as aulas foram suspensas e parte do concelho está sem eletricidade ao início da manhã desta quarta-feira.
No distrito de Vila Real, as aulas estão suspensas nos concelhos de Alijó e de Vila Pouca de Aguiar, na sequência da queda de neve. A Câmara de Alijó justificou a decisão com o agravamento do estado do tempo e apelou à população para que circule com prudência, sobretudo nas zonas mais elevadas, devido à presença de gelo e neve nas estradas.
Também no distrito de Coimbra, as escolas do concelho de Miranda do Corvo vão estar encerradas durante esta quarta-feira, segundo informação divulgada pela autarquia.
Segundo informações recolhidas no local pela Lusa, a depressão terá afetado esta zona durante cerca de 10 minutos, um período mais curto do que o registado aquando da passagem da tempestade Leslie em outubro de 2018, que também atingiu o Baixo Mondego. Ainda assim, a intensidade do fenómeno causou impactos significativos.
Autarquias ativam Planos Municipais de Emergência
A par do encerramento das escolas, vários municípios acabaram por ativar os respetivos Planos Municipais de Emergência na sequência da passagem da depressão Kristin. Em Castelo Branco, a autarquia decidiu acionar o plano por precaução e determinou o encerramento de todos os estabelecimentos de ensino do concelho, confirmou à agência Lusa o presidente da Câmara, Leopoldo Rodrigues.
No distrito de Coimbra, a Câmara da Lousã ativou igualmente o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil, com o objetivo de reforçar a coordenação entre as entidades locais e assegurar a mobilização dos meios necessários, públicos e privados, para responder às ocorrências provocadas pelo mau tempo.
Também em Condeixa-a-Nova foi ativado o Plano Municipal de Emergência, tendo a autarquia decidido encerrar as escolas do concelho como medida preventiva. As câmaras municipais garantem que estão a acompanhar a evolução da situação em articulação com a Proteção Civil.
Metro Mondego teve de ser suspenso em Coimbra, Lousã e Miranda do Corvo
O serviço do Metro Mondego teve de ser totalmente suspenso nos concelhos de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã, na sequência do mau tempo provocado pela depressão Kristin, informou a Câmara Municipal de Coimbra embora ainda sem previsão para a retoma.
Poucos minutos depois das 9 horas, o serviço começou a ser reposto gradualmente, mantendo-se suspenso no troço suburbano, disse a empresa que gere a estrutura de transportes. "No troço urbano, na ligação entre as estações Vale das Flores e Portagem em Coimbra, a operação começou a ser gradualmente reposta a partir das 08:05", explicou.