Programa de apoio à habitação fixou mais de 80 jovens em Carrazeda de Ansiães
A oportunidade de trabalhar na área em que se formou levou Andreia Canhoto, 28 anos, à vila de Carrazeda de Ansiães, no distrito de Bragança. Natural de Torre de Moncorvo, trocou há quatro anos a terra que cresceu por uma outra a mais de 45 km de distância, com a intenção de dedicar-se ao auxílio a idosos.
Arrendar uma casa não foi um processo fácil para a nova habitante. Em plena pandemia, os preços subiram e a oferta ficou limitada, tornando o acesso à habitação um desafio adicional para quem chegava à vila. “Foi complicado, mas depois consegui alugar a casa em que vivo atualmente”, explica ao Conta Lá.
Como? Numa zona em que as rendas inflacionaram e as mensalidades mais baixas rondam os 300€ e os 400€, fixar a população mais nova passou a ser um desafio para o município. Foi neste contexto que surgiu o programa “Ansiães Jovem”, uma iniciativa promovida pela Câmara Municipal que já ajudou a fixar 82 jovens na região, incluindo Andreia Canhoto.
Criado em 2021, o apoio destina-se a pessoas entre os 18 e os 40 anos, individualmente ou em agregado familiar, desde que não possuam habitação própria no concelho, apoiando-os por um período de cinco anos. No arrendamento, o município colabora com 25% da renda mensal, enquanto na aquisição, construção ou reabilitação de habitação, o apoio pode chegar aos 8.000€, calculado em função da área do imóvel. No caso de casas degradadas, o incentivo é atribuído de forma faseada, acompanhando a execução das obras.
Segundo Roberto Lopes, Vereador do Urbanismo no município, o projeto “surgiu da necessidade de ajudar os nossos jovens, bem como em resposta à perda crescente de jovens no interior (…) oferecendo apoios financeiros em quatro vertentes: no arrendamento, no complemento às despesas básicas e ao incentivo à aquisição ou reconstrução de imóveis devolutos”. Parecia evidente "que muitos queriam permanecer na região, mas a habitação era um obstáculo", pelo que se tomou a decisão de "complementar o apoio económico com medidas específicas de habitação jovem”, acrescenta.
Andreia Canhoto é exemplo de como o programa tem feito a diferença. Beneficia do apoio ao arredamento, fornecido pelo município há três anos, e diz que tem sido uma grande ajuda. “A renda de uma habitação na região é relativamente alta para jovens que começam a vida profissional”, reforça. Mãe de uma filha com cinco anos, Andreia diz que o apoio permite que tenha uma vida mais estável, ao funcionar como “uma ajuda para organizar o orçamento” que dá mais tranquilidade no dia a dia. “Com uma criança todas as despesas contam”, sublinha.
Roberto Lopes destaca que feedback como o de Andreia Canhoto é motivo de orgulho para o município, porque prova que é possível fixar jovens, permitindo reforçar outros setores e a oferta de emprego na região. A intenção passa agora por continuar com o programa nos próximos anos, percebendo as necessidades da população e acompanhando os desafios do mercado imobiliário, de modo a assegurar, dentro do possível, que o projeto não fique estagnado e acompanhe a atualidade.