Presidenciais 2026: até às 16h, afluência às urnas supera últimas eleições

Até às 16h00, 45,51% dos eleitores já tinham votado nas eleições presidenciais, um número muito superior ao registado no mesmo período em 2021. Os dados divulgados pelo Ministério da Administração Interna indicam uma participação histórica para este horário. 
Redação
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Agência Lusa
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18 jan. 2026, 08:59

Senhor a votar
Fotografia: Até ao meio-dia, mais de 21% dos eleitores já tinham votado nas presidenciais de 2026, registando-se um aumento face a 2021

A afluência às urnas para a eleição do próximo Presidente da República situava-se, até às 16h00 deste domingo, nos 45,51%, segundo dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, acima do que se registou nas últimas eleições.

Nas últimas eleições presidenciais, em 24 de janeiro de 2021 em pandemia, e à mesma hora, a afluência às urnas foi de 35,44%, o que se traduz numa subida de 10,07 pontos percentuais. Neste ano, a taxa de abstenção atingiu os 60,76%.

Já nas eleições presidenciais de 2016, a afluência às urnas situou-se nos 37,69%. Face a este ano de 2016, a afluência às urnas subiu 7,82 pontos percentuais.

As urnas para as eleições presidenciais abriram, este domingo, às 8h00 em Portugal Continental e na Madeira e uma hora depois nos Açores devido à diferença horária, encerrando às 19h00.

Na abertura das mesas de voto por todo o país, a partir das 08h00, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) não teve registo de quaisquer incidentes, segundo o seu porta-voz, André Wemans.

Mais de 11 milhões de eleitores são chamados, este domingo a escolher o novo Presidente da República, que irá suceder a Marcelo Rebelo de Sousa, que atingiu o limite de mandatos, sendo 11 os candidatos aceites, um número recorde.

Se um dos candidatos obtiver mais de metade dos votos validamente expressos será eleito já, este domingo, chefe de Estado. Caso contrário, haverá uma segunda volta, em 8 de fevereiro, com os dois mais votados no sufrágio.

No boletim de voto constam 14 nomes, incluindo os de Joana Amaral Dias, José Cardoso e Ricardo Sousa, cujas candidaturas não foram aceites pelo Tribunal Constitucional devido a irregularidades processuais.

Assim, os 11 candidatos aparecem no boletim de voto pela seguinte ordem: o sindicalista André Pestana ocupa a segunda linha, Jorge Pinto, apoiado pelo Livre, a terceira, e o músico Manuel João Vieira a quinta.

Catarina Martins (apoiada pelo Bloco de Esquerda) surge em sétimo lugar no boletim, João Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal) em oitavo, o pintor Humberto Correia em nono e o socialista António José Seguro em 10.º.

O candidato apoiado pelos partidos do Governo (PSD e CDS-PP), Luís Marques Mendes, está na 11.ª linha, André Ventura, o líder do Chega, na seguinte, com António Filipe (apoiado pelo PCP) e Henrique Gouveia e Melo, respetivamente, na 13.ª e 14.ª posições.

Para o sufrágio deste domingo estão inscritos 11.039.672 eleitores, mais 174.662 do que nas eleições presidenciais de 2021.

Desde 1976, foram eleitos António Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006), Cavaco Silva (2006-2016) e Marcelo Rebelo de Sousa (2016-2026).

Sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa toma posse a 9 de março

O escrutínio para eleger o Presidente da República decorre este domingo, como referido anteriormente, e a tomada de posse do próximo chefe do Estado acontece a 9 de março, perante a Assembleia da República, nos termos da Constituição de 1976.

O artigo 127.º da Constituição determina que a tomada de posse do Presidente eleito aconteça “no último dia do mandato do Presidente cessante ou, no caso de eleição por vagatura, no oitavo dia subsequente ao dia da publicação dos resultados eleitorais”.

Esse último dia do mandato de cinco anos do atual chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro dia da próxima presidência é 9 de março, a mesma data desde 1986, ano em que Mário Soares tomou posse como o 17.º Presidente da República.

A cerimónia voltará a repetir-se na mesma Assembleia da República onde já cinco Presidentes da República juraram “defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa” de 1976.

Em março, despedir-se-á do Palácio de Belém após um fim de mandato discreto, motivado pela recuperação de uma cirurgia a uma hérnia abdominal, realizada em 01 de dezembro, que o levou a reduzir a sua agenda e a cancelar deslocações.

Esta é a 11.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

Candidatos exercem direito de voto e reforçam a importância da participação cívica

O apelo para que os portugueses saiam de casa para votar nas eleições presidenciais deste domingo tem sido uma constante nas mensagens de candidatos e líderes partidários que já exerceram o seu direito de voto.

O candidato a Presidente da República Luís Marques Mendes disse estar "muito confiante” e apelou a uma "grande participação" dos eleitores nas eleições, num momento em que "a situação internacional é muito difícil”.

"Aquilo que eu desejo e o apelo que eu faria, era para uma grande participação nesta eleição. E, portanto, fazendo com que as pessoas vão votar e fazendo com que a abstenção possa baixar", afirmou em Caxias, Oeiras, onde votou esta manhã.

Por sua vez, o candidato António José Seguro, que votou nas Caldas da Rainha, disse que o fez com “muita emoção e muita esperança”, acreditando no “bom senso dos portugueses” que não irão desperdiçar uma oportunidade para decidir o futuro do país.

“Eu hoje votei com muita emoção e votei com muita esperança no futuro de Portugal. É isso que neste momento está a acontecer. Cada portuguesa e cada português estão a decidir o futuro do nosso país. Eu acredito no bom senso dos portugueses”, disse aos jornalistas o candidato à Presidência da República apoiado pelo PS, que votou esta manhã, na Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha, acompanhado pela mulher.

O candidato presidencial e líder do Chega, André Ventura, considerou, depois de votar em Lisboa, que a campanha podia ter sido mais esclarecedora, mas apelou aos portugueses para que se mobilizem e aproveitem o “dia fantástico” para votar.

Interrogado sobre a campanha, Ventura considerou que “houve de facto falhas significativas em temas que interessam às pessoas”, afirmando que “uns mais do que outros não ajudaram a que conseguíssemos debater esses assuntos”.

Para o candidato Henrique Gouveia e Melo, as eleições de hoje “podem ser marcantes”, pelo que se mostra esperançado de que a abstenção seja pouco expressiva num dia que é “um hino à democracia”.

“Eu julgo que estas eleições podem ser marcantes e, portanto, estou convencido de que os portugueses vão exercer o seu voto e vão exercer a sua cidadania, que é o que é normal”, declarou após votar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, em Lisboa.

António Filipe, candidato apoiado pelo PCP, instou os portugueses a que honrem o direito de voto e participem em “grande número” nestas eleições.

“Que os portugueses participem, que honrem o seu direito de voto, o direito de voto que custou muito a conquistar aos portugueses, o exercício do direito de voto em liberdade, em consciência, por convicção e, portanto, espero que os portugueses participem em grande número e honrem este direito”, afirmou António Filipe, depois de votar num centro escolar, em Loures.

Catarina Martins, que votou no Porto a meio da manhã, apelou também à participação dos portugueses, agradeceu a quem está nas mesas de voto e lembrou Maria de Lurdes Pintassilgo.

“Queria começar por agradecer a todas as pessoas que, em todo o país, estão nas mesas de voto a permitir que este dia aconteça. A democracia é participada por toda a gente e tanta gente que dá este seu dia para que seja possível estarmos a votar”, disse Catarina Martins.

“Este é um dia muito importante. A primeira mulher que se candidatou à Presidência da República foi em 1986, Maria de Lurdes Pintassilgo, que faria hoje anos, aliás. É um dia em que a assinalamos”, declarou a candidata, apoiada pelo Bloco de Esquerda (BE).

No mesmo sentido do apelo ao voto foi a declaração de João Cotrim de Figueiredo, à saída da Escola Básica Marquesa de Alorna, em Lisboa, onde votou: “Venham votar, não desperdicem, não deixem os outros escolherem por vós”. “Façam deste dia das eleições o dia da festa da democracia e mostrem que é possível mudar Portugal”, assinalou.

O antigo líder da IL espera que haja uma “grande queda da abstenção” e que a campanha eleitoral, “que nem sempre foi muito esclarecedora”, possa resultar num número de votantes “muito maior”.

Em Olhão, o candidato presidencial Humberto Correia, que fez campanha vestido como Dom Afonso Henriques, afirmou que o seu voto “é histórico”, para ele, para os seus antepassados e as futuras gerações.

“Este voto para mim é histórico. Para mim, para os meus antepassados e as minhas futuras gerações”, disse, justificando a afirmação com o facto de ser uma pessoa humilde, “do nada, da pobreza e conseguiu chegar até aqui”.

O candidato Jorge Pinto manifestou “muita tranquilidade, felicidade e consciência tranquila” ao votar esta manhã em Amarante, no distrito do Porto, e apelou aos portugueses para que votem “massivamente”, lembrando os desafios internos e externos atuais.

“Com tantos desafios internos e externos é importante que os portugueses votem, votem massivamente, votem em consciência. Da minha parte, muita tranquilidade, muita felicidade, sentimento de dever cumprido e de consciência tranquila por ter conseguido ou ter tentado elevar o debate, marcar a agenda com debates que interessam aos portugueses”, disse Jorge Pinto.

O candidato André Pestana considerou que o importante é a participação dos portugueses nestas eleições, independentemente das suas escolhas.

“Acho que é importante que os portugueses participem neste ato cívico, que é crucial, e peço, em particular, à juventude, aos trabalhadores, aos reformados que estão fartos de um país a duas velocidades”, afirmou André Pestana, em Coimbra, onde votou. Questionado sobre se a campanha foi suficientemente mobilizadora, André Pestana disse que foi “desconsiderado e descriminado relativamente aos outros candidatos”, referindo os 28 debates realizados e inúmeras entrevistas.

O candidato presidencial Manuel João Vieira destacou este a importância do voto direto e da participação eleitoral, apelando a que os portugueses combatam a abstenção, que considera historicamente elevada nos últimos 20 anos. Após votar em Lisboa, sublinhou que, ao contrário das eleições legislativas, o voto presidencial recai sobre uma pessoa individual e afirmou que, nesta eleição, não deixou a escolha ao acaso. Vieira lamentou que muitos cidadãos se interessem mais por futebol do que por política, atribuindo a desmotivação à atuação dos deputados na Assembleia da República.

Líderes partidários destacam cidadania e responsabilidade dos eleitores

O primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, apelou a uma grande participação nestas presidenciais, sustentando que os portugueses não devem delegar “a possibilidade de escolherem o mais alto magistrado da nação”.

“Esta é uma decisão soberana dos portugueses que não devem delegar a possibilidade de escolherem o mais alto magistrado da nação, aquele que é no nosso sistema político um elemento-chave do equilíbrio dos poderes, da coesão social, nacional para enfrentarmos neste caso cinco anos que serão seguramente muito desafiantes”, disse Montenegro em Espinho, no distrito de Aveiro.

Já o ministro da Defesa e presidente do CDS-PP, Nuno Melo, que votou no Porto, classificou as eleições presidenciais de hoje como “muito importantes”, pois elegem “um alto representante da nação e, principalmente, aquele que deve ser o garante do bom funcionamento das instituições democráticas”.

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, apelou a que “todos os que amam a democracia e a Constituição” vão votar e admitiu que a multiplicidade de candidatos pode levar à “dispersão de votos”.

“Todos aqueles que amam a democracia e que defendem a Constituição não podem ficar em casa. Têm mesmo de vir votar”, apelou José Luís Carneiro, após ter votado, ao início da tarde no Porto.

O coordenador do BE, José Manuel Pureza, manifestou, em Coimbra, o desejo de que muita gente vote e em plena consciência, considerando que a diversidade de posições contribuirá para que o nível de abstenção seja reduzido.

Por sua vez, o porta-voz do Livre, Rui Tavares, considerou “muito importante” que os portugueses votem para o Presidente da República, tendo em conta o contexto de “grande instabilidade internacional” e o “papel relevante” que desempenha o chefe de Estado.

Em Alhos Vedros, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, indicou que este é um dia importante e que espera que as pessoas participem e garantam a eleição de um candidato que cumpra a Constituição.

Por seu turno, a porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, sublinhou a importância dos eleitores votarem hoje, independentemente de existir a possibilidade de uma segunda volta, lembrando o papel do Presidente da República na "estabilidade" do país.

Nos Açores, o presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, desejou que haja uma “baixíssima abstenção” e manifestou-se convicto de que os portugueses farão a “melhor escolha”.

Bolieiro, que votou na freguesia da Fajã de Baixo, no concelho de Ponta Delgada, destacou que o novo Presidente da República vai confrontar-se como uma “situação de instabilidade internacional” e destacou a importância de, com outros atores políticos, se “contribuir para serenidade, para a paz e, sobretudo para uma responsabilidade democrática cívica e de liderança nas nações e do país”.

Já o chefe do executivo da Madeira, Miguel Albuquerque, aproveitou o momento para manifestar a sua esperança em que o futuro Presidente da República nomeie um representante para a região autónoma de origem madeirense, vincando ser este o “entendimento” da população do arquipélago.

Mário Soares foi o presidente eleito com maior percentagem de votos desde 1976

O histórico socialista Mário Soares foi o Presidente da República eleito com maior percentagem de votos, desde as primeiras eleições presidenciais portuguesas após o 25 de Abril de 1974, obtendo 70,35% no sufrágio de 1996.

A seguir a Mário Soares, foi António Ramalho Eanes que conseguiu ser eleito com a mais alta percentagem de votos, conseguindo 61,59% na primeira eleição presidencial, em 1976. Marcelo Rebelo de Sousa, que se despede da Presidência da República após atingir o limite de mandatos, foi o único outro chefe de Estado que conseguiu ultrapassar a barreira dos 60%: na sua reeleição, há cinco anos, foi a escolha de 60,66% dos votantes.