Agricultores cercam Parlamento Europeu contra "concorrência desleal" do Mercosul
O Parlamento Europeu acordou esta manhã sob o som de buzinas e o fumo de pneus queimados. Milhares de agricultores de vários países da União Europeia, mobilizados pela Coordination Rurale e outros sindicatos agrícolas franceses e europeus, bloquearam os acessos à instituição em Estrasburgo, num protesto de força contra o acordo de comércio livre com o Mercosul.

A manifestação acontece precisamente no dia em que o tratado comercial com os países da América do Sul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) volta à agenda de discussão dos eurodeputados, com debates previstos para esta terça e quarta-feira no hemiciclo.
No terreno, o cenário é de tensão, com centenas de tratores na "Ponte da Europa", que liga França à Alemanha, paralisando o trânsito na zona internacional. Também foram cortadas várias estradas nas imediações do Parlamento. Os manifestantes gritaram “Stop Mercosul” e “Von der Layen out”, enquanto acenderam tochas e petardos.

O principal argumento é a "concorrência desleal". Os agricultores europeus acusam Bruxelas de abrir as portas a carne de vaca, aves e açúcar vindos da América do Sul, produzidos com normas ambientais e sanitárias muito menos exigentes do que as impostas aos produtores da União Europeia – nomeadamente o uso de pesticidas e antibióticos proibidos na Europa.
"Não queremos importar a agricultura que não queremos comer", lê-se em alguns dos cartazes empunhados frente ao Parlamento, enquanto num dos palcos eram lançados impropérios contra o Brasil.

A pressão transfere-se agora da rua para os corredores do Parlamento, onde os grupos parlamentares terão de decidir se ratificam um acordo que promete baixar tarifas industriais, mas que o setor primário garante ser a sua "sentença de morte". Nos próximos dias haverá a possibilidade de adiar a aplicação do acordo por pelo menos dois anos, coma a votação sobre o pedido de parecer ao Tribunal de Justiça da União Europeia.